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Colégio Radial mantém suas portas abertas para deficientes auditivos nos ensinos fundamental, médio e técnico regulares


Há oito anos, o colégio e faculdade Radial desenvolve um trabalho de inclusão especialmente voltado para crianças surdas. Ao contrário das escolas especiais, em que só estudam alunos deficientes auditivos, os cursos da Radial são idênticos tanto para os alunos ouvintes quanto para os que não ouvem. A instituição promove, dessa forma, o convívio permanente entre jovens, o que desmistifica a deficiência e ajuda a acabar com o preconceito. Ao todo, a Radial possui 30 alunos deficientes espalhados pelos ensinos fundamental, médio e superior. A maioria (14) estão matriculados no ensino técnico em publicidade e informática.

Inicialmente, o trabalho de inclusão destinava-se especificamente para o ensino técnico. A procura pela escola, entretanto, aumentou rapidamente e o trabalho de inclusão expandiu-se para os demais cursos. Há seis anos trabalhando na instituição, Ana Lídia Bastos Thalhammer, pedagoga formada pela FMU e ela própria deficiente auditiva, é hoje quem coordena esse trabalho no ensino fundamental e médio regulares.

"Apesar de os alunos surdos assistirem às aulas normalmente, algumas adaptações são necessárias", explica Ana Lídia. "Oriento nossos professores para que falem de frente para os alunos e articulem bem as palavras. Assim, os surdos, que devem estar posicionados na primeira ou, no máximo, segunda carteira, podem fazer leitura labial". Além disso, ela pede aos professores que usem bastante a lousa, tanto durante as aulas, quanto para afixar recados e datas de entrega de provas e trabalhos.


Ana Lídia
O domínio da leitura labial é uma ajuda imensa para o aluno surdo que ingressa no Radial, mas não é uma exigência obrigatória do colégio. "Lógico que temos alunos aqui que só se comunicam em LIBRAS, da mesma forma que os professores não sabem dar aula usando a língua de sinais. Então, oferecemos um reforço escolar onde os alunos surdos dividem comigo as dificuldades que estão encontrando e, em seguido, comunico-as aos professores", diz Ana.

O diálogo entre alunos surdos e professores mediado por Ana Lídia é fundamental para que deles seja exigido aquilo que está ao seu alcance. "A leitura de livros da FUVEST como Machado de Assis, por exemplo, não é acessível para o aluno surdo por causa da complexidade do vocabulário. Mas nem por isso eles deixam de ler: usam os resumos. A prova desse aluno também é diferenciada porque é elaborada em cima do resumo, pede coisas mais gerais como qual o enredo, quem são os personagens, qual o tema, onde se passa a açcão, etc.", exemplifica Ana.

"A gente inclui o aluno surdo de forma adaptada, mas ele é cobrado da mesma forma que um aluno regular. O mundo aqui dentro é muito próximo daquele que ele vai encontrar lá fora, quando se formar", afirma Ana que também venceu muitas barreiras para chegar onde está. A sua história de vida é algo que ela, inclusive, compartilha com seus alunos para incentiva-los.

Ana ficou surda aos cinco anos por causa de uma pneumonia. Ela já sabia falar e esse conhecimento foi fundamental para que aprendesse a ler lábios e, posteriormente, na 5a série fosse estudar em um colégio regular. "No começo foi muito duro", diz Ana, "fiz a 5a série três vezes. Mas meus pais sempre foram muito presentes e me apoiaram muito". Um apoio que rendeu méritos incríveis: Ana não só se formou no colégio, como cursou a faculdade e hoje, além do trabalho que desenvolve no Radial, é professora da FMU.

"O apoio familiar e a integração com os colegas são fundamentais para o desenvolvimento dos alunos deficientes auditivos", afirma Ana com base na sua própria experiência. "Conversamos muito com as famílias dos alunos deficientes auditivos e pedimos para que participem do processo pedagógico motivando e cobrando da criança". Segundo a pedagoga, os pais correspondem muito bem e o progresso dos filhos é nítido conforme passam de ano.

Quanto ao convívio com os colegas, Ana diz que as crianças se relacionam muito bem, apesar de ter que chamar a atenção delas vez ou outra. "No início do ano letivo, quando me apresento para os alunos e explico o trabalho que desenvolvo, a turma toda de ouvintes vai aos colegas surdos perguntando se tem o abecedário em sinais. A partir daí a integração vai se desenrolando", diz Ana, "o único problema é que o no pessoal aprendeu a colar durante as provas e a conversar durante as aulas".
Serviços de apoio aos alunos deficientes auditivos
Com o objetivo de promover a inclusão de deficientes auditivos no meio escolar e na sociedade como um todo, as Faculdades e Colégio Radial atendem aos alunos portadores dessa deficiência, desde 1993. Temos alunos deficientes desde a 5ª série do Ensino Fundamental até o ensino superior, nos cursos de Tecnologia e Bacharelado, com diversos serviços prestados especificamente a esse público.
Esse trabalho vem sendo desenvolvido e aprimorado gradativamente, visando melhorar a qualidade do atendimento das necessidades dos alunos na área pedagógica e realizar uma verdadeira inclusão ao promover ações com os alunos surdos, com os ouvintes, com professores, funcionários e com o corpo dirigente da Instituição. A Radial respeita as limitações desses estudantes, reconhecendo-os como cidadãos dotados de capacidades, que necessitam de oportunidades para desenvolvê-las.
A Radial oferece aos alunos portadores de deficiência auditiva:
•Intérpretes em todas as salas de aula que possuem alunos deficientes. Os intérpretes traduzem as aulas para a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), assim como para o português, trabalhos apresentados por alunos surdos em LIBRAS. Hoje a Instituição conta com 19 intérpretes em toda a rede.
•Coordenação pedagógica educacional específica na área de surdez, sob a responsabilidade da Profª Ana Lídia Bastos Thalhammer, que trabalha em conjunto com a Direção e a Orientação Pedagógica das Unidades. A coordenadora propõe, quando necessário, adequações no currículo e no sistema de avaliação, observando as limitações de cada aluno surdo, especialmente nos ensinos fundamental e médio. Os professores possuem um treinamento prévio acerca da deficiência dos alunos surdos e mantêm contato freqüente com a coordenação, que monitora a atuação dos alunos no que diz respeito ao aprendizado. A coordenadora pedagógica educacional na área de surdez, juntamente com a Direção, também realiza reuniões periódicas com os intérpretes para discutir o andamento da interpretação dos alunos, sempre tendo como meta melhorar a performance do trabalho.
•Troca de vocabulários em todas as provas bimestrais do ensino fundamental, médio, médio profissionalizante e superior, disponibilizando, ainda, a atuação dos intérpretes em sala de aula durante a realização das provas para traduzir junto ao professor qualquer dúvida que possa existir.
•Aulas de reforço e acompanhamento pedagógico aos alunos deficientes do ensino fundamental, médio e médio profissionalizante em horário paralelo às aulas, mediante pagamento de pequena taxa.
•Contato com empresas para colocação dos alunos portadores de deficiência auditiva dos ensinos médio profissionalizante e superior no mercado de trabalho como estagiários ou funcionários, mostrando às empresas as capacidades, habilidades e competências desses estudantes.
•Aulas de LIBRAS aos alunos ouvintes dos ensinos fundamental, médio e médio profissionalizante, visando a inclusão dos alunos deficientes. Há também oficinas de LIBRAS para professores e funcionários da Instituição, com o mesmo objetivo.
•Telefones especiais (TDD), incentivando a indenpendência desses alunos através de uma forma de comunicação que também se faz necessária, nas diversas situações nas quais se deparam.

Saiba mais

O colégio Radial fica na Av. Jabaquara, 1.870 - CEP 04046-300 - Jabaquara - São Paulo (SP). Telefone: 5071-1788. Site: http://www.colegioradial.com.br/. e http://www.radial.br/

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